Arquivo do mês: dezembro 2012

Impresso ainda é melhor meio de estimular a leitura

(texto distribuído pela Escola Arvoredo, na qual estuda meu filho mais novo, Luís Henrique; é uma alegria saber que as crianças têm contato com esse tipo de abordagem; desconheço a autoria do texto, mas procurarei saber)

As histórias em quadrinhos foram o ponto de partida para que a produtora musical Magali Romboli transformasse a filha em uma leitora assídua. Nada de tablets, computadores e outros estímulos eletrônicos –Melissa Romboli Andriole, 9 anos, ainda prefere passar horas folheando as páginas de um livro. “É muito mais legal do que brinquedo”, garante. Mãe e filha não são exceção: na hora de introduzir as crianças ao mundo da leitura, muitos pais abrem mão da tecnologia e continuam recorrendo ao tradicional impresso, medida apoiada por especialistas.
Magali conta que começou a estimular a filha ainda bebê, com livros de plástico para brincar na banheira. Aos poucos, o passatempo deu lugar a gibis e livros de história. Recorrer ao impresso foi uma das maneiras que encontrou para evitar que Melissa passasse o dia todo em frente ao computador e à televisão. “Talvez essas ferramentas não façam mal agora, mas como saber seu efeito quando ela tiver 50 anos?”, questiona.
A preocupação com a saúde não é o único motivo pelo qual o impresso reina na casa da família. Segundo Magali, uma das grandes vantagens do livro em papel é a possibilidade de compartilhar histórias. De tempos em tempos, elas doam alguns exemplares para crianças carentes. “A Melissa pega livros emprestados da escola, leva o que está lendo em casa, comenta com colegas e com a professora. No tablet, você baixa o arquivo, outra pessoa baixa outro. Não é uma relação entre pessoas, é uma relação entre tecnologias”.
Segundo o professor Marcelo Barra, do Centro de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, o livro impresso continua decisivo na formação de crianças e jovens. “Por ter muito mais estímulos, a mídia eletrônica dispersa quem está começando a ler. O saber e a profundidade são maiores no livro convencional”. O professor explica que as possibilidades abertas pelo tablet podem estimular a criança a buscar novos conteúdos, em vez de se ater àquilo que está lendo. “O resultado é um conhecimento superficial. Os eletrônicos são uma raiz muito longa, mas não muito profunda. Eles são complementares. Nessa fase, incentivar a leitura a partir do impresso é o melhor meio de desenvolver a concentração”.

Férias são uma boa época

Aproveitar o tempo livre é uma boa saída para desenvolver o gosto pelas obras literárias. Vale recorrer das séries infantis ao gibi, aliado de Magali na formação da filha. “A linguagem objetiva das historinhas da Turma da Mônica ajudou Melissa no início. Depois, para melhorar o repertório, pegamos livrinhos de histórias”.
O momento é bom ainda para fazer passeios culturais. “A melhor coisa é levar os filhos às livrarias, que cada vez mais têm seções voltadas a crianças e adolescentes. Lá, devem ajudá-las a escolher seus próprios livros”, aconselha o professor. As bibliotecas públicas podem estar no roteiro de férias. O professor Marcelo Barra acrescenta: “Os pais devem dar o exemplo. É muito mais fácil a criança gostar de ler se ela está acostumada a ver os pais lendo”.
Outra alternativa para o período e que pode ser levada adiante durante o ano todo são as rodas de histórias. Reunir a família é uma das melhores formas de instigar a curiosidade dos pequenos. O ambiente familiar é muito rico e influencia intensamente a formação da criança.

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A gravidez da princesa…

(esta daí vem do irmão tuca, de itaipu, em niterói)

Pelo mal-estar que a gravidez impõe a Kate Middleton, é bem provável que a mulher do príncipe William esteja esperando um menino: tem coisa mais enjoada que alguém com rei na barriga?…

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Edílson Cazeloto

edilson

Professor da Cásper Líbero, o jornalista sentencia: “A vida digital é uma amputação da vida física”. E explica por quê.

– Onde você nasceu?

– Nasci no dia 4 de janeiro de 1971, em São Paulo, capital, no Hospital do Servidor Público Municipal. Tenho, portanto, 42 anos. Sou casado com Giuliana Capello Cazeloto.

– Estudos, profissão e atividade atual?

– Sou radialista e jornalista, formado pela Cásper Líbero em 1995. Mestrado e Doutorado em Comunicação e Semiótica na PUC/SP. Estágio de Pós-Doutorado na UFRJ. Autor de “Inclusão Digital: uma visão crítica”, Editora SENAC, 2008.

– O que faz hoje, profissionalmente?

– Professor do programa de pós-graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero.

– Do que trata o livro, Edílson?

– O livro é um estudo teórico que busca desmistificar os programas de inclusão digital mantidos pelo governo ou por instituições da sociedade civil. Tento demonstrar que esses programas se justificam e legitimam pela ideia de uma relação direta entre inclusão digital e inclusão social. A inclusão social, por sua vez, é vista por três ângulos: a) geração de emprego e renda; b) acesso à cultura; c) acesso aos serviços estatais. O que ocorre é que, quando analisados de perto, nenhum desses pilares se sustenta. A inclusão digital é, portanto, mais uma estratégia de renovação da exploração capitalista do que uma forma de desenvolver a autonomia dos cidadãos.

– De onde vem o seu interesse por essa linha de pesquisa?

– Eu pesquiso as relações entre tecnologias digitais, comunicação e sociedade. Interessei-me pelo tema ainda no mestrado porque, já no começo do século XXI, as tecnologias digitais eram vistas como uma espécie de panaceia, capazes de resolver (ou colaborar para a solução) as mazelas de nossa sociedade. Não era o que eu via acontecendo no “mundo real”. Como já havia trabalhado com informática, tinha uma proximidade técnica com esse universo e resolvi conhecê-lo mais profundamente. No mestrado, estudei a noção de “democracia” na internet; no doutorado, resolvi olhar para a “sociedade civil”, debruçando-me sobre o tema da inclusão digital. Como respondi antes, há uma espécie de consenso em torno das virtudes da informática em promover a inclusão social. O que percebi é que isso é apenas um discurso “publicitário”, de promoção dos próprios meios digitais.

– Qual a sua análise, portanto, sobre a atual situação das relações baseadas na internet?

– A vida digital é uma amputação da vida física. No digital, não nos relacionamos com o mundo da experiência concreta, mas com imagens, simulações, abstrações. Esse mundo é feito sob medida para as novas formas de exploração do capitalismo contemporâneo, cada vez mais faminto de informações (que dificilmente se transformam em conhecimento). O fato é que esse estado de coisas não existe por si só, nem por vontade divina. Nós construímos esse mundo, a partir das relações sociais que inventamos e sustentamos com nossas práticas cotidianas. Por isso, a crítica é necessária: ela aponta as tensões e os problemas que passam despercebidos pela consciência do dia a dia e, ao fazer isso, permite que se vejam fissuras, brechas a partir das quais é possível construir a utopia de uma nova forma de organização do social.

– Outro assunto. Você mora em uma ecovila, na cidade de Piracaia. Fale sobre essa mudança, por favor.

– Fui para a ecovila para vivenciar no cotidiano minhas opiniões e crenças a respeito da sociedade. Criticar é um ponto de partida, mas não de chegada. Eu queria experimentar novas formas de relacionamento social baseadas na autonomia, na experiência concreta do corpo, na solidariedade, em outros padrões tecnológicos e outros saberes. Enfim, queria ir além da teoria e transformar minha própria vida num laboratório dessa outra organização social possível. Não é possível querer mudar o mundo e continuar dependendo do Pão de Açúcar para se alimentar. Não é possível criticar o padrão monocultural da informática sem se apropriar de outras tecnologias. Por isso, a ecovila não é uma ruptura, mas uma extensão da minha visão de mundo e da sociedade.
A Giuliana chegou ao mesmo ponto por outros caminhos, mas essa é uma história que só ela pode contar. Morar em uma ecovila, para mim, é construir possibilidades.

– Peço que cite dois ou três livros/artigos/filmes – dessa linha de trabalho – inclusão digital – e em relação à vida em ecovila, sustentabilidade etc.

– Recomendo dois filmes: “A corporação” e “Gattaca, a experiência genética”. Para livros, vou recomendar um autor pouco conhecido: Serge Latouche, um dos principais expoentes da ética do decrescimento. Outro livro bacana é “Perca tempo”, de Ciro Marcondes Filho.

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Juan Díaz Bordenave – um amigo e irmão perto de Deus

juan novoParaguaio, cidadão latino-americano, classifica de “golpe mercenário e

farisaico” a destituição do presidente do seu país.

 

Esta entrevista foi feita por mim, em junho deste ano de 2011, em um retiro de oração, na bela Pousada Maristela, que fica em Tremembé, São Paulo. Cinco meses depois, vítima de um câncer, Juan morreu no Rio de Janeiro. A foto é de Regina Carvalho, amiga querida do Rio de Janeiro. A entrevista foi originalmente publicada no Portal do Envelhecimento: http://www.portaldoenvelhecimento.org.br

 

Texto de Guilherme Salgado Rocha

Nascido na cidade de Encarnação, no Paraguai, fronteira com a Argentina, no dia 5 de fevereiro de 1926, boa parte desses 86 anos foi e é dedicada a bater na mesma tecla (e aqui a expressão “bater na mesma tecla” nada carrega de pejorativa; pelo contrário, mostra coerência e retidão): a defesa de uma comunicação popular voltada à conquista da liberdade, justiça e igualdade. Dessas pessoas às quais cabe mais do que apropriadamente o epíteto de “inesquecível”, conversar com o bem-humorado Juan é um privilégio. E uma boa volta ao passado, pois seu livro mais conhecido, “O que é comunicação”, da Coleção Primeiros Passos (Editora Brasiliense), está na bibliografia de todas as faculdades de Comunicação.

Pai de seis filhos (“com a mesma mulher”, completa sorrindo), Juan quis, há dez anos, voltar ao seu país natal. Integrava, até a destituição do presidente Fernando Lugo, o Conselho Nacional de Educação do Paraguai. A entrevista foi feita no dia 9 de junho, na cidade de Tremembé, interior de São Paulo, 13 dias antes do “golpe”. Sobre os fatos recentes, escreveu um artigo, publicado

originalmente no Jornal do Brasil online, transcrito na íntegra no Portal do Envelhecimento.

– Como a entrevista é para a revista do Portal do Envelhecimento, a primeira pergunta tem que versar sobre isso. Como você se sente aos 86 anos, e como analisa o envelhecimento?

Juan – Vejo com a maior naturalidade. É inexorável, então tem que ser vivido bem, com graça. Não podemos parar, temos que seguir envelhecendo com alegria. Na maior paz possível, na maior fecundidade que se pode tirar daí. Claro que a cada dia há menos energia. Alguns obstáculos, por exemplo, os quais eu pulava, agora passo de lado, pois posso tropeçar e cair com o nariz no chão. Mas me mantenho fisicamente com certa vitalidade. Por exemplo: de volta ao Paraguai, alugo uma pequena casa em Assunção, e tenho a uma hora da capital um pequeno sítio, que toco sozinho, com árvores, pequenos animais, uma paz impressionante.

 

– Qual é a sua trajetória de estudos?

 Juan – Meu primeiro curso foi de técnico em agronomia. Não engenheiro, mas em nível técnico, que fiz na Argentina. Depois voltei ao Paraguai, ao lado do meu irmão, também técnico em agronomia. Isso em 1951. Passamos um ano trabalhando na terra, plantando banana e café. Não mais em Encarnação, pois no ano em que nasci aconteceu lá um tornado, que matou 600 pessoas e destruiu a minha casa. Meu pai era médico e nos mudamos para Assunção. Iniciei a carreira em um campo novo, a comunicação agrícola. O governo do meu país me contratou para ser uma espécie de jornalista para os agricultores, e fui estudar nos Estados Unidos. Acabei ficando lá para fazer o mestrado em jornalismo agrícola.

 

– O que é o jornalismo agrícola?

 Juan – É um jornalismo voltado aos trabalhadores rurais, que aprendem a usar os folhetos, o rádio. E continuo meus estudos. Volto ao Paraguai, trabalho, volto aos Estados Unidos para o doutorado, na Universidade de Michigan. Isso em 1966.

– E o Brasil, como entra em sua vida?

 Juan – Trabalhava em um organismo internacional, o ramo agrícola da Organização dos Estados Americanos (OEA). Comecei na Costa Rica, depois no Peru, e do Peru fui designado para o Brasil. Cheguei ao Brasil em 1968. Fiquei 22 anos na OEA, depois comecei a trabalhar como consultor internacional nessa área.

 

– Chegou casado?

 Juan – Sim, casamo-nos em 1956. E somos casados até hoje. Conhecemo-nos nos Estados Unidos, na primeira vez que me mandaram lá para estudar. Ela era intérprete de um grupo de comunicadores. Éramos 11 comunicadores de todo o mundo, que estavam viajando juntos. A Maria Cândida era intérprete de três brasileiros que não falavam inglês. Ela tinha 24 anos, e fiquei encantado com a sua autonomia. E, eu percebia, não traduzia quando não concordava com o que o orador falava. Isso era muito engraçado.

 

– São seis filhos?

Juan – Quando chegamos ao Brasil, já tínhamos os seis filhos. Um é mexicano, uma costarriquenha, dois peruanos e dois brasileiros. E seis filhos com a mesma mulher, anote aí…

– Como se chamam?

 Juan – O João é jornalista da Embrapa. O Chico Diaz é ator, faz o papel de coronel Melk Tavares na novela Gabriela. Ele nasceu no México. Enrique Diaz, peruano, ator e diretor de teatro. Maria, figurinista de cinema. Verônica, que estudou Física na universidade, agora é atriz de teatro. Paulo, técnico da USP, ecólogo e biólogo.

– Quantos livros você escreveu?

 Juan – Dez livros, sendo dois muito difundidos. O primeiro deles é “O que é comunicação”, da Coleção Primeiros Passos. Está na 36ª edição. E “Estratégias de ensino e aprendizagem”, pela Vozes, na 31ª edição. Publiquei na Argentina e no México. Agora acabou de sair meu primeiro livro no Paraguai, “Aportes à comunicação para o desenvolvimento”.

 

– Você fez uma reflexão recente sobre a comunicação nos tempos atuais.

Juan – Sim, reflito a partir do que vejo ao meu redor, e em função ainda do Fórum Social Mundial, no qual creio sinceramente. E há outro mundo possível, igualmente na comunicação. Para os comunicadores é essencial entender como podemos contribuir com a construção desse mundo, pois estou certo que o modelo civilizatório do capitalismo europeu está se desmoronando diante de nossos olhos atônitos. A humanidade busca um modelo que o substitua. Os benefícios que o capitalismo crê ter proporcionado à humanidade, na ciência e na tecnologia, são perigosamente superados pelos danos e prejuízos à vida humana, do mesmo modo que à terra, habitat natural do homem. O motor central do capitalismo, o lucro e a acumulação do capital, produz efeitos devastadores.

 

– Cite alguns exemplos, por favor.

 Juan – Admitir, como naturais, as guerras de conquista, as invasões coloniais, escravidão e armamentismo, e a mercantilização da vida humana, da natureza e até mesmo da religião. Outro exemplo: a manipulação das necessidades humanas para canalizá-las em direção ao consumismo e hedonismo. Há exacerbação da competição, o que leva à exploração da mão de obra, sindicatos sem representatividade, benefícios sociais retirados dos trabalhadores. Mesmo a corrupção policial é resultado disso. E, paralelamente, assistimos à implantação de ditaduras e de tratados internacionais, como a Alca, favoráveis ao poder ilimitado das empresas multinacionais.

– Por ser uma pessoa de fé, Juan, como analisa a presença da religião nesse contexto?

 Juan – Percebo que a expansão mundial do capitalismo, que tem sido vitoriosa até agora, e de sua estratégia mais recente de conquista, a globalização do neoliberalismo, é possível graças à vitória de seu modelo civilizatório sobre o que propõem três adversários históricos: grandes religiões universais, tradições culturais dos povos e teorias da esquerda. Mas me pergunta sobre as religiões: judaísmo, cristianismo, islamismo, hinduísmo, taoísmo e outras religiões, desde tempos remotos, defendem a supremacia do espiritual e do transcendente sobre o materialismo, do mesmo modo que o amor e a compaixão sobre o egoísmo e a exploração do homem sobre o homem. E de sua parte, como citei, os povos originais da América Latina – guaranis, quéchuas e aimarás, para citar três – não regem a vida pelo lucro e acumulação, mas pelo bem viver. Suas crenças e práticas giram em torno da unidade dos homens, com a divindade e a natureza, encarnados na Pachamama, a deidade máxima dos Andes peruanos e bolivianos. É a deusa, a Mãe Terra. Nesses povos ancestrais se pratica a economia solidária, e a vida de cooperação comunitária se sobrepõe ao egoísmo individualista.

 

– E a comunicação em todo esse processo?

Juan – Para os comunicadores e os pesquisadores da comunicação é um sério desafio definir de que modo podem contribuir com a construção desse novo mundo possível, levando em consideração o enorme poder que exerce o processo de interação social promovido pelos meios de comunicação. Além de um caminho humano universal, a comunicação é igualmente arte, tecnologia, sistema institucional e ciência social. A comunicação é utilizada para dizer a verdade ou mentir, construir ou destruir, juntar ou separar, educar ou deseducar. Se nos ativermos ao educador Paulo Freire, a comunicação é instrumento de conscientização. Nas mãos de diversos apresentadores de televisão, é promotora todo-poderosa do consumismo e do capitalismo.

 

– Crianças incluídas?

 Juan – Sem dúvida. Os programas infantis da Xuxa, por exemplo, são criticados porque convertem as crianças de hoje em consumidores de amanhã. Cito ainda as faculdades de comunicação, que formam pessoas organicamente funcionais para os meios de comunicação comerciais, mas, do mesmo modo, formam pessoas comprometidas com os meios públicos e comunitários. Se creio que outro mundo é possível, tenho que crer que outra comunicação é possível. Defendo uma prática e uma pesquisa de comunicação que ajudem a desmontar os monopólios e os oligopólios comunicacionais, nacionais e internacionais, que favoreçam a democratização dessa comunicação e a construção de uma democracia participativa, em sociedades soberanas, nas quais imperem a liberdade, a igualdade e a fraternidade.

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