Arquivo do mês: agosto 2012

E não é que o phaseolus vulgaris mandou carta à redação?! Quer direito de resposta e ameaçou ir ao STF…

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– Ficou vermelho de raiva com o tomate e exigiu ser ouvido, foi isso…?

 – O camarada chega aqui, é entrevistado, tem foto daqueles meninos com ele, todo cheio do sucesso, está famoso, mais do que pão francês de mercadinho, aquele do preço abaixo dos 5 reais. É, prezado, já tem padaria cobrando 10 reais o quilo do pão francês. Vamos pro mercadinho! Lá perto da minha casa tem vendedor de pão de bicicleta. Os donos da padaria reclamam, estão vendo o lado deles. Mas quem aguenta o quilo do pão a 10 reais?! Por que você não entrevista o pãozinho?!

 

 – Fica pra próxima, mas a ideia é boa. Agora quero conversar com você. Mas peraí, o que houve? Nos primeiros meses do ano você foi o maior vilão, mais do que o Max da novela. E está aí, todo prosa. O que aconteceu, hermano?

 – Muita gente plantando, meu camarada. Muita gente plantando fez o preço baixar.

 

 – Ouvi outro dia que você ficou 7% mais barato. Mas há quem diga que foi mais. A comadre lá em casa comprou um quilo seu por 3 reais e pouco, disse que há muito tempo não comprava o pretinho maravilhoso por esse preço.

 – Manda a patroa aproveitar. Olha o sorriso dela na foto. Morenaça, hein, mano?

 

– Vamos cantar, pra mudar de assunto? O que você apresentará ao distinto público?

 – Letra e música de Gonzaguinha, com As Frenéticas.

 

 – Simbora…

 – Dez entre dez brasileiros preferem feijão/Esse sabor bem Brasil/Verdadeiro fator de união da família/Esse sabor de aventura/Famoso Pretão Maravilha/Faz mais feliz a mamãe, o papai, o filhinho e a filha/Dez entre dez brasileiros elegem feijão/Puro, com pão, com arroz, com farinha ou macarrão/Macarrão, macarrão!/É nessas horas que esquecem os seus preconceitos/Gritam que esse crioulo/É um velho amigo do peito/Feijão tem gosto de festa/É melhor e não faz mal/Ontem, hoje e sempre/Feijão, feijão, feijão/O preto que satisfaz…

 

 – Muito bem! Amigo feijão, a entrevista vai ser mais curta, estou meio cansado, precisando de um bom prato de feijão. Mas vem cá, na música fala em feijão com pão?!

 – Uai, mas quem gosta de quetechupe na pizza pode reclamar de feijão com pão?!

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Na estreia do blog, entrevista especialíssima com o Solanum Lycopersicum, vulgo Lycopersicon Esculentum…

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Luís Henrique e João Vítor exclamam: “Papai, compra um tomate pra nós?!”

Bem no meio do caminho de Carminha e Nina, eis o vilão enrubescido: o “nosso” tomate… E “nosso” entre aspas mesmo, pois no preço que está, é tudo, menos nosso.. 

  

2bytes – Fala, amigo. Pro seu lado deve estar tudo em paz. Desejado, querido, idolatrado. Mas de dificílimo acesso, hein?!

Solanum Lycopersicum – Mas não é culpa minha, camarada. O que posso fazer se a produção diminuiu, faltou água, o tratamento que exijo é algo inusitado?

– Tou sabendo. Dizem até que se a mão que encosta em você tem resquício de cigarro, ou seja, é mão de fumante, você sente, é verdade?

– Tenho que admitir. Mas isso não é frescura minha. Sou muito sensível a várias pragas e doenças.

– E por que você é tão vermelhinho assim? Está enrubescido por causa dos 7 reais o quilo?! Te ver e não te querer é improvável, é impossível. E te ter e ter que esquecer é insuportável, é dor incrível. E mais: quando você me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz, e passar bem…

– O vermelhinho é o licopeno.

– Que coisa é essa, rapaz?!

– É uma substância que combate os radicais livres por meio de sua ação oxidante. Entendeu?

– Entendi nada. Mas tudo isso é frescura.

– Não, não é.

– Ah, não?! É o que é, então? Olha só, você se chama tomate, e no mercado está Tomate Carmen e Tomate Débora. Que papo é esse, mano? Você é a Carminha da novela? Car-mi-nha, Car-mi-nha!!!

– Sai pra lá, rapaz! Pegou no meu ponto fraquíssimo. Já pedi pra me chamarem de Tomate Hulk e Tomate Homem-Aranha, mas ficam nesse papo de Carminha pra cá, Débora pra lá. Não gosto nada…

– Meu chapa, agora veja na foto. Já estava caro, vieram os caras do Extra e colocaram preço maior em cima! Olhe o rostinho desolado dos meus meninos, você não tem piedade?

– Eu sei, seria incapaz de uma maldade contra rostinhos tão famintos e carentes.

– Solanum, você tem ideia do que é passar pelo constrangimento de chegar ao caixa do supermercado com somente dois da sua espécie dentro do saquinho plástico?! Isso é uma vergonha pra um pai de família.

– Tente, por enquanto, outras alternativas. Aqui na minha família mesmo posso lhe sugerir: tem o jiló, o…

– Como é que é?! Tiro o tomate e coloco jiló?! Ei, vai te tomate, rapaz… Estou ficando nervoso, esta entrevista está tomando um rumo inesperado. Eu te amasso!

– Então procure o tomate-cereja, aquele pequenino, que é meu sobrinho. Ou então vá pra Espanha, naquela festa do tomate, que eles chamam de Tomatina.

– Estou sem grana pra comprar um quilo seu, você quer que vá para a Espanha?! Eu te pego, seu… seu…

– Calma, amigo, calma, sou amigo, tomate também é gente.

– Estou terminando meu desabafo tomatal. Mas até o quetechupe, que adoro colocar na pizza, está em falta. Sexta-feira fui com a turma comer uma pizza ali no Cambuci e não tinha quetechupe. O cara falou que faltou tomate, faltou quetechupe. E eu não coloco azeite na pizza, só quetechupe. Será que esse galho você tem como quebrar?

– Isso é mais fácil. Arrumo quem pode lhe dar um quetechupe e você alivia a minha barra, combinados?

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